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“O respeito vem quando você mostra resultado”: engenheira civil relata desafios da profissão

Campo Grande, 23 jun 2026 às 20:43

Registros do Crea-MS de 2025, apontam que há 5.945 engenheiros civis no Estado. Desse total, 1.539 são mulheres, o equivalente a 25% dos profissionais. Embora a engenharia civil ainda seja uma profissão predominantemente masculina, a presença feminina – não sem alguns percalços – tem se consolidado em diferentes áreas, dos projetos aos canteiros de obras, o que contribui para a transformação de um cenário tradicionalmente ocupado por engenheiros.

O Dia Internacional das Mulheres na Engenharia foi criado em 2014 pela Women’s Engineering Society (WES), do Reino Unido. A data escolhida, 23 de junho, busca das visibilidade às contribuições femininas para a engenharia e incentivar a participação de mais mulheres em uma profissão que, historicamente, foi ocupada majoritariamente por homens.

Izabela Lima Pimentel, de 29 anos, é engenheira civil formada pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), em 2018. Atualmente reside e trabalha em Rio Verde de Mato Grosso, município localizado a cerca de 200 quilômetros de Campo Grande.

“Desde que me entendo por gente meu pai é pedreiro. Em 2000, em Rio Verde, abriu uma loja de material de construção, que hoje é administrada pela minha mãe e meu irmão, que foi uma grande mentor e incentivador para que eu cursasse engenharia civil”, disse Izabela, que, desde 2019 atua na execução de obras residenciais e elaboração de projetos e orçamentos.

Izabela acredita que um dos principais desafios de atuar na engenharia no interior, especialmente na execução de obras, é a cultura da irregularidade ainda presente em muitas cidades. “Convencer os clientes a investir na regularização dos empreendimentos continua sendo um trabalho constante, já que grande parte deles constrói para morar e não vê necessidade de organizar a documentação da obra até ser alvo de fiscalização ou receber alguma multa”, conta.

Para a engenheira, os desafios da profissão vão além das questões técnicas. Ao longo de sua carreira, enfrentou barreiras relacionadas ao preconceito contra mulheres em posições de liderança nos canteiros de obras, já que, para ela, críticas, orientações e determinações feitas por mulheres costumam ser recebidas com mais resistência do que quando vindas de homens. A diferença de tratamento ficou evidente na rotina de trabalho ao lado do irmão, que também atua na área. “Os funcionários eram muito mais receptivos quando a mensagem vinha dele”, relata. Com o tempo, porém, a convivência e a confiança ajudaram a reduzir essa resistência.

Uma das situações mais marcantes ocorreu em 2020, pouco depois de sua formação. Durante a fiscalização de uma obra, enquanto orientava a montagem de uma laje, ouviu um comentário de cunho assedioso feito por um trabalhador. O episódio a deixou paralisada e a levou a interromper a atividade. “Fui impedida de desempenhar minha função por medo de ser mulher e estar vulnerável naquele local. Foi triste, mas como o tempo e posicionamento certos, essas situações não voltaram a se repetir”, lembra, ressaltando que situações como essas evidenciam as dificuldades enfrentadas pelas mulheres em ambientes historicamente femininos.

Izabela confere o sucesso profissional a três pilares: a dedicação em aprender, comprometimento no que se propõe a fazer e o respeito pela necessidade do cliente. “Parece óbvio, mas o essencial para ser destaque e conquistar o seu espaço é trabalhar com seriedade, ser comprometido com prazos e estabelecer limites quando necessário. O respeito vem quando você passa a mostrar o resultado de um bom trabalho”, detalha.

Criteriosa e bastante dedicada aos trabalhos, Izabela diz nunca ter investido em propaganda. “Vou parecer um tanto quanto presunçosa, mas a realidade é que os meus clientes falando do trabalho que eu entrego é a minha propaganda. A dedicação acaba sendo o fator responsável”, finaliza.

Janine Monteiro
Equipe de Comunicação do Crea-MS
Fotos: arquivo pessoal