Nascido em Aimorés, Minas Gerais, e formado em Engenharia Civil no início dos anos 1970, Antônio Braz Genelhu Melo, mais conhecido como Braz Melo, construiu sua trajetória entre obras emblemáticas e desafios de gestão. Ainda estudante, trabalhava como desenhista de tubulações e participou de projetos marcantes no Rio de Janeiro, como a construção do metrô. Essa vivência, em meio ao boom urbano do período, forjou o engenheiro que anos depois levaria seu conhecimento técnico para o interior do país, atuando na expansão da infraestrutura de Dourados, em Mato Grosso do Sul.
À frente da prefeitura em duas gestões (1989-1992 e 1996-2000), Braz Melo deixou marcas na cidade, como os 11 Centros de Educação Unificada e postos de saúde em áreas urbanas e indígenas, iniciativas que lhe renderam um prêmio de melhor prefeito do Brasil. Embora tenha ocupado também o cargo de vice-governador, sempre se definiu primeiro como engenheiro. Para ele, a essência da profissão está em resolver problemas e criar soluções duradouras, missão que afirma ter guiado tanto suas obras quanto sua atuação política.
Por que o senhor escolheu a engenharia?
Minha juventude foi na época da construção de Brasília, a partir daí foi quando fui pensando em um curso de exatas e escolhi o Científico em vez do Clássico. Quando já estava estudando no Rio de Janeiro, o primeiro emprego que tive foi ser desenhista de tubulação numa fábrica de etanol, depois consegui um estágio na Esfisa, uma empresa de construção muito forte no Rio. Depois participei de uma obra do metrô. Ia na frente resolvendo aqueles problemas de água, esgoto etc. Foi uma obra muito importante na minha vida e me ajudou muito na área política. Antes de me formar já ganhava como engenheiro.
Durante os estágios que realizou entre 1968 e 1971, quais aprendizados mais marcaram sua formação?Levantamento de dados, informática, orçamento, convivência…
O senhor viveu o período do desenvolvimento urbano acelerado no Brasil nos anos 1970. Como isso impactou sua carreira?
Aproveitei todas as oportunidades, vivi no Rio de Janeiro o boom daquelas grandes obras: o Túnel Rebouças, a Passarela, participei disso tudo, o alargamento das praias de Copacabana, Botafogo, Flamengo, e Glória. Quando vim para Dourados, então, foi quando pude usar muita coisa que vivi lá.
O que o levou a Mato Grosso do Sul?
Um convite da então Companhia de Saneamento do Estado de Mato Grosso – Sanemat, hoje Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul – Sanesul.
Quais foram os maiores desafios técnicos enfrentados durante a implantação de 160 km de rede de água em Dourados?
Principalmente a mão de obra na área do esgoto sanitário, que é muito específico.
Como foi essa relação com a região que o chegou a tornar prefeito de uma das maiores cidades do estado? O que o levou à política?
Comecei a prestar esse serviço para a prefeitura, com galerias de águas pluviais, fiquei amigo do prefeito, e ele me sugeriu esse caminho.
Como a formação em Engenharia te ajudou a enfrentar os desafios do dia a dia da gestão pública?
Foi muito importante. Talvez a profissão mais importante para ser prefeito de uma cidade ou governador é ser engenheiro ou administrador. Um engenheiro é um solucionador de problemas. Transformei o trânsito em Dourados. Dourados não tem rio perto, somente alguns córregos; foram criados dois lagos grandes em Dourados para fazer pururuca e dissipar energia.
O senhor coordenou grandes obras públicas antes mesmo de se tornar prefeito. Que diferença notou entre coordenar tecnicamente e liderar politicamente essas obras?
É bem diferente. Eu prefiro eu fazer. Quando se tem chefe, muitas vezes o chefe quer uma coisa que não é o ideal tecnicamente.
O senhor sente mais paixão pela Engenharia ou pela política?
A engenharia me ajudou muito. O legado que você deixa… Minha filha e meu neto me seguirão porque viram que a engenharia foram muito importante para a nossa família. O engenheiro resolve problemas.
Beatriz Craveiro
Equipe de Comunicação do Confea
Foto: acervo pessoal