
O combate à violência contra a mulher não começa quando um caso ganha repercussão. Começa muito antes, na forma como as instituições definem seus valores, escolhem suas lideranças e estabelecem os limites do que é aceitável. O Agosto Lilás reforça essa compreensão ao lembrar que prevenir a violência também significa construir ambientes em que respeito, ética e igualdade deixem de ser apenas princípios e passem a orientar decisões concretas. Em um cenário em que o Brasil ainda convive com índices alarmantes de feminicídio e diferentes formas de violência física, psicológica, moral, sexual e patrimonial, cada decisão institucional representa uma oportunidade de fortalecer uma cultura baseada no respeito, na ética e na dignidade humana.
É justamente nesse contexto que o Sistema Confea/Crea e Mútua tem consolidado uma agenda que ultrapassa o discurso e se traduz em medidas concretas. Em um setor historicamente marcado pela predominância masculina, assumir protagonismo no enfrentamento à violência de gênero significa reconhecer que a engenharia, a agronomia e as geociências também têm responsabilidade na construção de ambientes profissionais seguros, inclusivos e respeitosos. Não se trata apenas de ampliar a participação feminina, mas de garantir que mulheres possam exercer plenamente sua profissão em espaços livres de violência, discriminação e qualquer forma de assédio.
Um dos avanços mais significativos ocorreu com a atualização do regulamento eleitoral do Sistema, que passou a considerar condenações por violência doméstica e violência política contra a mulher como critério de inelegibilidade para cargos de liderança. A medida representa muito mais do que uma alteração normativa. Ela estabelece um posicionamento institucional claro: pessoas condenadas por esse tipo de crime não podem representar uma organização comprometida com a ética profissional e a defesa da sociedade. Ao mesmo tempo, a decisão dialoga diretamente com o novo Código de Ética do Sistema, que passou a reconhecer atos de violência contra a mulher como infração ética, reforçando que competência técnica jamais pode ser dissociada da conduta ética.
Esse conjunto de iniciativas demonstra que a integridade institucional não se limita ao cumprimento de normas administrativas. Liderança exige responsabilidade, exemplo e compromisso com valores que sustentam a convivência democrática. Ao incorporar critérios relacionados à violência de gênero em seus processos eleitorais, o Sistema envia uma mensagem inequívoca aos profissionais, às empresas e à sociedade: não há espaço para naturalizar comportamentos que atentem contra a dignidade das mulheres.
Outro marco importante foi a parceria firmada entre o Confea e o Instituto Nós Por Elas (NPE), organização dedicada ao enfrentamento da violência de gênero e à promoção da equidade de oportunidades. Mais do que um acordo institucional, a iniciativa amplia a capacidade do Sistema de desenvolver ações preventivas, fortalecer campanhas educativas e incentivar mudanças culturais dentro e fora do ambiente profissional. Em um país que ocupa posição preocupante entre aqueles com maiores índices de feminicídio, construir redes de cooperação entre instituições públicas, entidades representativas e organizações da sociedade civil torna-se uma estratégia indispensável para enfrentar um problema estrutural.
Os resultados dessa atuação já são reconhecidos nacionalmente. O Confea tornou-se o primeiro conselho profissional brasileiro a receber o Selo Ouro de Boas Práticas no Combate à Violência Contra as Mulheres, certificação concedida pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em parceria com o Instituto Nós Por Elas. O reconhecimento não representa um ponto de chegada, mas evidencia que políticas institucionais consistentes produzem resultados concretos. A certificação valoriza organizações que implementam mecanismos de prevenção, acolhimento, comunicação e enfrentamento da violência de gênero, estimulando uma cultura de melhoria contínua e contribuindo diretamente para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 5 da Organização das Nações Unidas, voltado à igualdade de gênero e ao empoderamento de mulheres e meninas.
Essas ações dialogam com outro instrumento importante desenvolvido pelo Sistema: a cartilha “Seu Assédio Não Tem Desculpa”, produzida como parte da campanha de conscientização, prevenção e enfrentamento ao assédio moral, sexual e à discriminação. A publicação parte de uma premissa simples, mas essencial: abrir espaço para o diálogo é um dos caminhos mais eficazes para transformar comportamentos e prevenir violências. Ao explicar conceitos, apresentar exemplos de condutas abusivas e orientar vítimas, testemunhas e gestores sobre como agir, a cartilha reforça que o enfrentamento ao assédio depende da informação, da responsabilidade coletiva e da disposição para romper o silêncio.
Ao apresentar conceitos, exemplos práticos e orientações para vítimas, testemunhas e gestores, a cartilha demonstra que o enfrentamento ao assédio não começa apenas quando uma denúncia é formalizada, mas na capacidade de reconhecer comportamentos inadequados, interromper sua naturalização e fortalecer uma cultura institucional baseada no respeito, na ética e na corresponsabilidade. Dessa forma, o Confea reafirma que prevenir a violência também significa educar, orientar e promover ambientes em que a dignidade das pessoas seja um valor inegociável.
Nenhuma transformação institucional acontece apenas por meio de campanhas pontuais. Ela se consolida quando princípios passam a orientar decisões, regulamentos, programas, processos de formação e relações de trabalho. Nesse sentido, o Agosto Lilás representa uma oportunidade de reafirmar um compromisso que deve permanecer durante todo o ano: construir ambientes em que mulheres possam estudar, trabalhar, liderar e desenvolver suas carreiras com segurança, respeito e igualdade de oportunidades.
Quando uma instituição estabelece critérios éticos para suas lideranças, firma parcerias estratégicas, recebe reconhecimento por boas práticas e investe continuamente em ações de prevenção e conscientização, ela demonstra que enfrentar a violência contra a mulher não é apenas uma pauta social, mas um compromisso permanente com a integridade, a responsabilidade e a valorização da vida. É dessa forma que campanhas deixam de ser apenas símbolos e passam a produzir mudanças concretas. E são essas mudanças, sustentadas por ações consistentes, que permitem construir um futuro em que respeito, equidade e dignidade não sejam exceções, mas fundamentos da atuação profissional e da convivência em sociedade.
Comunicação Confea