A expectativa é alcançar a certificação, realizar as primeiras entregas e iniciar a operação comercial em 2027. A ideia é que ele faça viagens de até 100 km entre bairros ou cidades próximas
A Eve Air Mobility (Eve), subsidiária da Embraer dedicada ao desenvolvimento de soluções para o mercado de Mobilidade Aérea Urbana (UAM, na sigla em inglês), incluindo uma aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL, na sigla em inglês), concluiu o primeiro voo de seu protótipo não tripulado na unidade de testes em Gavião Peixoto (SP). A informação foi divulgada pela Eve no início de agosto, mas o voo foi realizado em dezembro de 2025.

O eVTOL tem 12 metros de comprimento por 15 metros de altura. É 100% elétrico e foi projetado para garantir segurança, acessibilidade, conforto dos passageiros e baixo ruído. Inicialmente operado com piloto, transportará quatro passageiros. Após a certificação do voo não tripulado, poderá transportar seis passageiros, cada um com uma bagagem de mão padrão. A aeronave tem capacidade para acomodar cadeira de rodas dobráveis.
O primeiro voo do carro marca o início da fase de testes em voo e confirma a integração de sistemas essenciais da aeronave, como o conceito de fly-by-wire de quinta geração e os rotores dedicados exclusivamente ao voo vertical. A empresa realizará centenas de voos após o recente voo pairado (hover flight) realizado por um minuto e a 12 metros do chão, expandindo gradualmente o envelope para a transição para voos totalmente sustentados pelas asas (wingborne flight) ao longo de 2026.
A Eve produzirá seis protótipos certificáveis para conduzir a campanha de testes em voo com foco na certificação da aeronave. A empresa segue trabalhando com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), autoridade primária do eVTOL da Eve, para avançar na regulação e no processo de certificação. A expectativa é alcançar a certificação de tipo, realizar as primeiras entregas e iniciar a operação comercial em 2027. Quando estiver validado, o modelo será produzido em uma fábrica em Taubaté (SP).
“Testamos nossas leis de controle, verificamos a integração dos oito rotores sustentadores e avaliamos o gerenciamento de energia, a resposta dinâmica da aeronave e o ruído externo”, afirmou Luiz Valentini, Chief Technology Officer da Eve. “O protótipo se comportou exatamente como previsto pelos nossos modelos. Com estes dados, ampliaremos o envelope da aeronave e avançaremos para o voo de transição sustentado pelas asas de maneira disciplinada, aumentando para centenas de voos ao longo de 2026 e construindo o conhecimento necessário para a certificação de tipo”.
Com o voo também foi possível avaliar elementos críticos, desde a arquitetura de rotores sustentadores até a mecânica de voo da aeronave. As próximas etapas do programa incluem a expansão progressiva do envelope da aeronave, transição para o voo de cruzeiro sustentado pelas asas fixas e continuidade do trabalho conjunto com a ANAC e outras autoridades certificadoras e validadoras, como a norte-americana FAA e a europeia EASA.
O desenvolvimento do eVTOL coloca o Brasil entre os países que investem em soluções para a chamada mobilidade aérea avançada. Mesmo antes da conclusão do processo de certificação, o projeto já desperta interesse internacional, com três mil intenções de compra provenientes de clientes em diversos países.
A Eve se beneficia dos 56 anos de experiência da Embraer em projetar, certificar, fabricar e entregar aeronaves de última geração, além da presença global da companhia em serviços e suporte pós-venda.
Janine Monteiro
Equipe de Comunicação do Crea-MS com informações da Eve Air Mobility
Fotos: Embraer/Eve