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Pesquisador da UFMS e conselheiro do Crea-MS, Paulo Eduardo Teodoro é vencedor do Prêmio Fundação Bunge

Campo Grande, 27 jul 2026 às 18:12

Paulo Teodoro foi premiado pelo trabalho que combina genética, agricultura digital, sensoriamento remoto e inteligência artificial na agricultura sustentável

Criado em 1955 para reconhecer pesquisadores que atuam no desenvolvimento científico e na busca por soluções de desafios como a sustentabilidade e a inovação no campo, o Prêmio Fundação Bunge, em seus 71 anos de existência, já homenageou mais de 200 personalidades brasileiras.

Neste ano, as categorias Vida e Obra e Juventude premiarão quatro pesquisadores. O tema escolhido para a premiação envolveu os desafios da agricultura tropical sustentável e a produção em cenários de estresse térmico e hídrico. Anunciados no início deste mês, eles receberão o Prêmio em setembro, durante solenidade em São Paulo.

O engenheiro agrônomo, professor doutor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), câmpus de Chapadão do Sul, engenheiro civil e conselheiro do Crea-MS, Paulo Eduardo Teodoro, de 33 anos, foi o vencedor da categoria Juventude, para pesquisadores de até 35 anos.

Teodoro desenvolve pesquisas que combinam genética de plantas, agricultura digital, sensoriamento remoto e inteligência artificial para identificar, de forma rápida e precisa, sinais de estresse em culturas agrícolas como soja, milho e algodão. Dessa forma, é possível antecipar e solucionar problemas causados pela falta de água, pelo calor excessivo, doenças ou pragas e, assim, contribuir para uma produção mais sustentável. “Buscamos detectar alterações que muitas vezes ainda não são visíveis a olho nu. Quanto mais cedo identificamos um problema, maiores são as chances de minimizar perdas”, explica.

A metodologia adotada pelo pesquisador utiliza sensores acoplados a drones para captar dados bioquímicos e fisiológicos das plantas. Com o suporte da inteligência artificial, as informações ajudam na identificação de plantas mais resistentes e a orientar decisões no campo. O estudo pertence a área conhecida como fenotipagem de alta precisão, considerada uma das mais promissoras vertentes da agricultura moderna. “É uma ferramenta que permite avaliar milhares de plantas de forma rápida, com alta precisão e em larga escala”, afirma.

Neste cenário em que a tecnologia é cada vez mais necessária para o gerenciamento e otimização das produções, os pesquisadores assumem papel estratégico no desenvolvimento de soluções utilizando sensores e ferramentas da agricultura digital. “No meu trabalho, por exemplo, desenvolvo modelos de inteligência artificial para estimar a produção a partir de dados de sensoriamento remoto. Uma vez desenvolvido e publicado, esse conhecimento fica acessível à sociedade, permitindo que o mercado e os especialistas transformem a pesquisa em serviços para o produtor,” disse Teodoro.

Dedicação que leva ao sucesso

A facilidade com matemática levou Paulo Teodoro à engenharia civil; o incentivo de amigos, à agronomia.  A dúvida entre as duas carreiras, porém, fez com que optasse por cursar as duas graduações ao mesmo tempo. Assim, os cinco anos de faculdade foram divididos entre a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Aquidauana, cursando agronomia durante o dia, e à noite na Uniderp, em Campo Grande, onde se formou em engenharia civil.

A viagem de ônibus de 141 km entre as duas cidades era o momento para estudar e descansar. Diariamente, o jovem estudante enfrentava a rotina que tinha início às 6h e só terminava à 1h da madrugada, com o desembarque em Anastácio, cidade onde morava e onde ainda residem seus pais.

O contato com as pesquisas o motivou a seguir a carreira acadêmica, decisão que teve influência direta de um professor em especial. “Fiquei apaixonado quando vi o professor Dr. Francisco Eduardo Torres ministrando aulas da disciplina Climatologia e Meteorologia Agrícola. Eu o procurei e, já no quarto semestre, comecei a fazer pesquisas e não parei mais. Publiquei uma série de artigos, tive contato com a agronomia na prática, e ter um bom orientador faz toda a diferença na vida do profissional”, disse.

Com a formatura nas duas graduações, o ano de 2014 encerrou um período de dupla dedicação. Tamanho esforço começaria a ser recompensado, mas não sem antes surgirem novamente duas opções: Paulo optou por cursar mestrado em agronomia, mesmo prestes a ser convocado em um concurso para engenheiro civil.

A trajetória de Paulo inclui a conclusão do mestrado em Aquidauana em apenas um ano, seguida pelo ingresso no doutorado em uma das principais referências do país, a Universidade Federal de Viçosa (MG), e pela aprovação no concurso para docente da UFMS, em Chapadão do Sul. Considerada a Capital Agrícola do Estado, a cidade é também importante polo formador de profissionais de agronomia e engenharia florestal do Estado.

Compartilhando a vida e o sucesso

Paulo e Larissa que dividem a vida e a profissão, tiveram seus trabalhos reconhecidos pela Fundação Bunge

Em 2024, a engenheira agrônoma e professora doutora do câmpus de Chapadão do Sul, Larissa Pereira Ribeiro Teodoro, esposa de Paulo, teve seu trabalho reconhecido também na categoria Juventude, pela Fundação Bunge. A pesquisadora foi premiada pelo trabalho voltado ao melhoramento genético de soja e milho, utilizando fenotipagem de alto rendimento e inteligência computacional para identificar plantas mais produtoras e tolerantes.

Conselho para os jovens estudantes

Histórias de jovens profissionais sul-mato-grossenses que trabalham pelo desenvolvimento da agricultura sustentável utilizando o que há de mais moderno em termos de tecnologia, serão sempre fonte de inspiração.

“Meu conselho para os estudantes é: tenham contato com pesquisa e com as empresas do setor agrícola para que, durante a graduação vocês, vocês acumulem a maior bagagem técnica possível e saiam preparados para o mercado de trabalho”, concluiu o premiado jovem pesquisador.

Janine Monteiro
Equipe de Comunicação do Crea-MS