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Engenharia de Minas e as marcas profundas na história do desenvolvimento do país

Campo Grande, 09 jul 2026 às 16:41

Nascido em 10 de julho de 1879, o gaúcho Pedro Demóstenes Rache partiu de sua cidade natal, na fronteira com o Uruguai, para cursar Engenharia de Minas e Civil em Ouro Preto (MG). Segundo curso de Engenharia criado no país, a Escola de Minas de Ouro Preto, hoje integrada à Universidade Federal de Ouro Preto, foi um marco importante na formação técnica na área da mineração no Brasil.

Rache concluiu o curso em 1901 e, como melhor estudante da turma de engenheiros, foi premiado com uma viagem à Europa, tradição introduzida por Dom Pedro II em 1881, quando assistiu provas orais de alunos da Escola de Minas e ficou impressionado com a habilidade dos alunos em reconhecer rochas que estavam sobre a mesa.

Entre a conclusão do curso e o ano de 1930, quando entrou para a política, Rache foi empresário, professor e servidor público. Deputado federal eleito por representação profissional, o engenheiro tornou-se líder da bancada classista, destacando-se como um dos mais atuantes.

No dia 11 de dezembro de 1933, decreto publicado pelo presidente Getúlio Vargas, regulamentou o exercício da engenharia no Brasil e instituiu o Sistema Confea/Crea. Além de ser um dos fundadores do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), Pedro Demóstenes Rache foi também o primeiro presidente da instituição.

O aniversário de seu nascimento, 10 de julho, mais tarde passou a ser dedicado ao engenheiro de minas, profissional que desempenha um papel importante na sociedade e está presente no cotidiano de todos, desde a água que bebemos até os eletrônicos que usamos.

Mais de nove décadas após a criação do Sistema Confea/Crea, profissionais continuam escrevendo a história da Engenharia de Minas no Brasil. Em Mato Grosso do Sul, essa trajetória é representada pelo engenheiro de minas Hélio de Sá Leal, com quatro décadas de atuação na mineração, grande parte delas em Corumbá.

Pernambucano de São José do Belmonte, Hélio de Sá Leal formou-se em 1984, pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no terceiro curso de engenharia de minas do  país. Motivado pela mineração, em junho de 1989, o engenheiro desembarcava em terras sul-mato-grossenses para atuar nas minas de ferro e manganês da Mineração Corumbaense Reunida (MCR), empresa criada em 1978 e que se tornou a LHG após aquisição, em 2022, pelo grupo J&F.

O engenheiro tem 40 anos de sua vida dedicados à mineração; 24 desses anos em minas subterrâneas. “Por incrível que pareça, a mineração em Corumbá remonta a 1907 com uma empresa belga – Compagnie de l´Urucum –  nas minas do Morro do Urucum. Acompanhei a mecanização da mina na década de 1990 e construí o primeiro e único túnel nessa mesma mina”, disse.

Há quatro anos atuando em uma mina subterrânea de manganês na EMFX Mineração, do grupo Granha Ligas, Hélio conta que, desde o início de sua carreira, trilha um caminho marcado pela responsabilidade e pela vivência prática. “Construí minha carreira em um dos ambientes mais exigentes da engenharia: a mineração subterrânea. Ainda jovem, assumi a gerência de uma mina de carvão. Esse desafio, além de exigir domínio técnico, exigiu maturidade para tomar decisões sob pressão, onde cada escolha tinha impacto direto na segurança e na vida de outras pessoas”, contou.

Foi nesse cenário que adquiriu experiência sólida em desmonte de rochas, atirantamento de teto, ventilação, desaguamento e métodos de lavra. “Foi ali que aprendi a maior das lições: lidar com pessoas. Em meio à rotina intensa da mina, encontrei nos trabalhadores simples, dedicados e comprometidos com suas famílias uma fonte profunda de aprendizado. Com eles, desenvolvi respeito genuíno, senso de responsabilidade coletiva e uma liderança baseada no exemplo e na compreensão humana”, avaliou.

Com a carreira estabelecida, o engenheiro de minas acredita ter se tornado um profissional que transita de forma natural entre o planejamento e a prática, dividindo-se entre o escritório e o campo.  “Trabalhei com ferro, manganês, ouro, zinco, chumbo, carvão mineral, calcário e conglomerados”, pontuou.

E, fora do ambiente profissional, a vida segue a mesma linha de solidez.” Mantenho, há mais de 40 anos, uma relação duradoura com minha companheira, valorizando o tempo compartilhado e a simplicidade dos momentos juntos. É nos instantes de tranquilidade que encontro meu refúgio, muitas vezes na própria companhia, ao som de músicas que atravessaram gerações, como as de Elvis Presley”, finalizou o engenheiro de minas.

Janine Monteiro
Equipe de Comunicação do Crea-MS